quinta-feira, 17 de abril de 2008

Momento de Reflexão sobre Ditadura e Tirania





Quando eu era apenas um menino cursando a 1ª série do antigo primário, tinha uma professora em sala de aula, que nos ensinava, a mim e a meus colegas, utilizando uma cartilha chamada Caminho Suave. Logicamente aquela professora sabia como lidar com as crianças, nós cantávamos, brincávamos, desenhávamos, fazíamos trabalhos de colagem, bordávamos cartões, dançávamos nas festas juninas, participávamos de teatrinho, em fim uma infinidade de coisas, a cartilha "Caminho Suave", era utilizada meramente para ajudar no desenvolvimento da nossa leitura e escrita, principalmente a cursiva, dentre outras atividades, mas o que contava mesmo era aquela professora, a qual gostava muito de ministrar aulas, e também dos alunos. Um dia eu disse a ela: quando eu crescer, quero ser professor igual a senhora, e ela me respondeu: Marcos você precisa estudar muito, não é fácil, você tem que gostar de ministrar aulas, gostar de ensinar, fazer vários cursos, em fim uma infinidade de dificuldades, mas se for realmente a sua vontade, com certeza você irá conseguir. Ela deve ter passado por tudo isto, pois, era uma pessoa atuante, séria, mas não rígida, amiga, mas respeitada, capaz, pois, sabia como conciliar as coisas, como se fazer entender, não gritava, e nem era preciso, pois, sabia impor limites e nós fazíamos de um todo para agradá-la. Era um tempo de ditadura, e apesar da fotografia do General colocada acima do quadro negro, ao menos naquela sala de aula, eu me sentia à vontade, pois, não discutíamos política, tínhamos outros assuntos mais importantes para serem tratados, como por exemplo o perigo da linha do trem que passava bem próxima a nossa escola, o acampamento cigano que se instalara lá pertinho, dentre outros.
Os anos foram passando, troquei de escola, de cidade, de estado, mas nunca consegui esquecer de pessoas como esta professora, que cruzaram poucas vezes em meu caminho, que me deixaram lembranças tão boas, que me fazem lagrimejar de saudade, ao relembrar cada uma delas e suas palavras em sala de aula, seu comportamento perante o aluno, sua sabedoria, sua humildade para conosco, meros alunos de escola pública.
Passei por poucas e boas na minha vida, sofri com a ditadura, aprendi na época que quem falasse mal do governo, corria o risco de não voltar para casa. Vi amigos meus se distanciando para nunca mais nos encontrarmos, não entendia o porque, mas é assim que as coisas acontecem dizia meu pai, e logo nós também tínhamos de partir, buscando uma nova vida. Ouvia dizer que os militares colocavam espiões nas escolas, para saber através de conversas com os alunos, se os pais estavam satisfeitos com o governo ou não. Aqueles que eram contrários ao regime, principalmente os atuantes (militantes de organizações contrárias ao governo) por muitas vezes tinham de retirar seus filhos das escolas, pois, fatalmente seriam descobertos e o futuro era incerto para os mesmos. Todos os que se opunham aos militares eram banidos de alguma forma, somente os que aceitavam pacivamente, ou de alguma maneira trocavam informações com estes em troca de favores, conseguiam emprego. Nem todos se diziam contra aquele regime hostil, cheio de proibições, chamado ditadura. Finalmente os anos se passaram, o governo mudou, podemos então eleger nossos governantes, o povo saiu lutando pelas diretas e parece que venceu. Eu finalmente poderei realizar o meu sonho de ser professor, apesar de inúmeros acontecimentos que me deixaram um pouco atrasado para a função, mas nunca é tarde para estudar, nem para demonstrar sua aptidão, a final, estou num regime democrático, onde o que conta é um bom currículo, e a força de vontade de cada um. Algum tempo depois, de ter feito o curso de magistério, e de ter realizado o sonho de ministrar aulas em escolas públicas, procurei me especializar ainda mais para melhorar o meu desempenho. Prestei vestibular para pedagogia, eu que sempre estudei em escolas públicas, acreditava que quem estuda e aprende, tem chance e eu quero estudar, quero aprender, quero ensinar, vou conseguir. Infelizmente o meu sonho de continuar ministrando minhas aulas foi interrompido. Deixei currículo na SMED, enviei alguns pela Internet. Compareci em reunião do Orçamento Participativo do dia 31 de março deste ano, e na mesma noite fui eleito 1º Conselheiro da Micro Região 12ª, aproveitei e falei com o secretário de educação do município que se encontrava no local, o qual me pediu para comparecer na SMED, para falar com seu assessor que trajado qual pessoa do povo, como ele diz, também estava no local. No dia seguinte, lá me fui levando meus sonhos de voltar a lecionar, levei meu currículo, meus documentos, certificados, comprovantes de cursos, toda uma papelada que no final não me serviu para absolutamente nada, "parece frase de comediante". A conversa com aquele ser, se restringiu a: há quanto tempo você está no nosso partido político? Respondi que não pertenço a nenhum partido, mas que sou simpatizante de boas idéias e até participei do Orçamento Participativo de 2000, quando fiquei entre os 15 que coordenavam os delegados na cidade de Gravataí, eu era o único que não era partidário, mas o governador achou boa a idéia para dar mais veracidade aos trabalhos do O.P, e eu queria ajudar minha cidade em seu desenvolvimento, ao mesmo tempo em que queria saber sobre o funcionamento do O.P. estadual, a pessoa não contente com a minha explicação, pois, não disse que havia entrado para o partido, me faz uma pergunta no mínimo idiota: quem era o governador no ano de 2000? Respondi que era Olivio Dutra, mas confesso que já estava decepcionado com o tratamento. Não fui a tal lugar, pedir esmolas, também não fui para concorrer a nenhum cargo político, pois, queria apenas voltar a ministrar minhas aulas. Senti como se tivesse obrigação de colocar uma estrela (botam), do tal partido pregado na camisa, bem como trazer bem grande na capa do meu currículo, o meu número de inscrição em tal partido, mas aí eu estaria indo contra todos os meus princípios de ética, moral, acessórios básicos para uma educação de qualidade, eu teria de me corromper, me curvar. Tive certeza, que a ditadura militar, havia terminado. Mas não de um todo, pois, foi somente trocada pela tirania de alguns que necessitam manter-se a cima em seus cargos de confiança, utilizando-se do dinheiro do povo para ocupar as escolas com seus cabides de empregos. Onde algumas pessoas que conseguiram entrar em concurso, direito conquistado através da Carta Política de 1988 para Administração Pública brasileira, cita o artigo 37, inc. II da Constituição da República: A investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração. Infelizmente esta lei não está sendo cumprida, e quando um concurso é fraudado e não conseguimos nossa nomeação, também não temos o direito a pedir um contrato de trabalho, pois, para o atual Secretário de Educação, a qualidade de ensino está no partido que o professor ocupa, não nos planos de aula, nos planos de unidade, nos projetos políticos pedagógicos que este ajuda a desenvolver, ou no currículo que este demonstra, bem como em seu teste de aptidão. Desiludido com o que está ocorrendo, eu peço aqueles que ministram aulas por real aptidão que lutem contra este tipo de coisa. Ouvi dizer que isto é nossa culpa, pois, os professores se vendem a partidos políticos apenas para ministrarem suas aulas, isto é uma vergonha. Espero que a maioria não esteja nesta situação, pois, não quero sentir vergonha de minha categoria. Também fiquei sabendo através de jornais, que os concurso públicos que foram realizados em nossa cidade dentre outras, correm o risco de terem sido utilizados para colocar pessoas de confiança de determinados políticos, em cargos definitivos, para que consigam minar os órgãos públicos com pessoas sem escrúpulos, com o propósito de ajudarem em sua reeleição, ou simplesmente por troca de favores durante um grande período, aproveitando o fato de que, quem assume cargo na condição de concursado, não pode ser demitido, a não ser por justa causa, e é esse tipo de pessoa que nós através do pagamento de impostos, deveremos alimentar, isto é uma decepção muito grande, mas, já estou ficando acostumado com tanta coisa errada, nada mais me assusta, principalmente se for idéia de político corrupto, não que todos sejam assim, pois existem alguns bons, tem que existir.
Sei que algumas pessoas podem estar se perguntando, o que isto tudo tem haver com o curso de pedagogia? Tem tudo haver, afinal estamos fazendo tanto, dando o melhor que há em cada um de nós para melhorarmos a qualidade de ensino de nosso estado, e até de nosso país, mas como fazer isto, se depois de formados teremos que freqüentar algum partido político para conseguirmos ocupar nosso lugar merecido. O que nos adiantará tanta luta, se quem consegue chegar lá não necessita se quer de currículo, pois, está apadrinhado por partido político, e usa de conchavo para conseguir o que deseja, sem nenhum escrúpulo, sem nenhuma vergonha, sem nenhum pudor. E os nossos conteúdos, nossa força de vontade, nossa motivação, onde ficam, e os nossos filhos, estão em sala de aula com qual tipo de professores (as)? Os que têm capacidade, ou aqueles que tem conchavo. A partir do dia 16 de março deste ano, estou fazendo parte do Conselho Administrativo da APAE – Gravataí, estou orgulhoso em fazer parte de um órgão que como ninguém, sabe os problemas que nossas crianças e jovens especiais possuem, principalmente relacionados com a inclusão social, gostaria que mais pessoas resolvessem ajudar de alguma forma esta instituição, pois aqui nós não precisamos de conchavo político, mas de união e determinação para melhorarmos as condições de vida de nossas crianças e jovens com necessidades especiais, o amor ao serviço, prevalece nos corações daqueles que ali se encontram desenvolvendo suas atividades, e é isto que me está estimulando a continuar nesta empreitada pela melhoria da educação de nosso povo.


Que bom se fosse verdade.


EducaçãoEducação de Gravataí é destaque
Secom/PMG - Iara Maurente

A qualidade da educação praticada em Gravataí “é exemplo das melhores práticas educacionais do país”, afirmou nesta quarta-feira (16), o chefe de gabinete do prefeito, Valter Amaral, que participa da XI Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios.Integrando-se à mesa de trabalhos sobre educação, Amaral salientou a importância do trabalho realizado na cidade que se alinha de forma prática e direta ao Plano de Desenvolvimento da Educação. Amaral explica que “a premissa de envolver todas a instâncias da educação preconizada no PDE já vem sendo praticada em Gravataí, onde comunidade e escola têm se aproximado cada vez mais num trabalho conjunto que apresenta resultados inquestionáveis”, disse.
RedaçãoFones: (51) 4001-3267 - 4001-3271
Versão para impressão
Indique esta matéria
Página anterior


Quando a educação em Gravataí deixará de ser propaganda política para virar realidade?






























2 comentários:

GPS disse...

Hello. This post is likeable, and your blog is very interesting, congratulations :-). I will add in my blogroll =). If possible gives a last there on my blog, it is about the GPS, I hope you enjoy. The address is http://gps-brasil.blogspot.com. A hug.

Roni Zani dos Santos disse...

Marcos, a educação sempre foi política. Isto acontece em Gravataí, Viamão, Porto Alegre, no Estado do Rio Grande do Sul e no Brasil afora. Nós é que temos que fazer a mudança, não tendo medo de falar a nossos alunos para que seus páis e eles não votem em um determinado político porque ele é ladrão, corrupto e não presta. É que muitos de nós, acomodados por um emprego, não fazemos nada. Roni Zani dos Santos